O Acidente Vascular Cerebral (AVC), comumente denominado derrame cerebral, representa uma das maiores ameaças à saúde pública global, figurando entre as principais causas de morte, incapacidade funcional e hospitalização em todo o mundo. Essa condição resulta da morte de células cerebrais desencadeada pela interrupção do aporte sanguíneo — caracterizando o AVC isquêmico — ou pelo rompimento vascular, que configura o AVC hemorrágico.
Em paralelo, o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) caracteriza-se pela redução ou bloqueio súbito do fluxo sanguíneo coronariano, provocado principalmente pela acumulação de depósitos lipídicos nas artérias do coração ou pela formação de trombos que obstruem a circulação.
Ambas as patologias acometem centenas de milhares de brasileiros, afetando predominantemente indivíduos com predisposição genética para diabetes, portadores de hipertensão arterial, com aterosclerose, doenças cardiológicas preexistentes, obesidade, além daqueles com hábitos prejudiciais como tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo.
Uma análise conduzida pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, baseada em dados do Portal de Transparência dos Cartórios de Registro Civil, revelou um cenário preocupante: entre 2019 e junho de 2024, o número de mortes por AVC superou consistentemente os óbitos por infarto.
A SBACV aponta como causas centrais para o aumento de mortalidade por AVC: o inadequado controle prévio de comorbidades, as barreiras de acesso aos serviços de saúde e a ausência de políticas públicas robustas de prevenção por parte das esferas governamentais.
Medidas de Prevenção
Diante deste panorama alarmante, a implementação de estratégias eficazes de prevenção constitui imperativo fundamental para reduzir a morbimortalidade associada ao AVC e ao IAM. A SBACV recomenda como medidas preventivas essenciais:
- O controle rigoroso da pressão arterial, mantendo níveis inferiores a 140/90 mmHg.
- A manutenção de níveis adequados de colesterol e glicemia através de alimentação saudável, reduzindo o consumo de gorduras saturadas, sódio e açúcares simples.
- A prática regular de atividade física, com no mínimo 150 minutos de exercícios aeróbicos moderados por semana.
- A cessação imediata do tabagismo e moderação do consumo de bebidas alcoólicas.
- O controle adequado do peso corporal, prevenindo a obesidade.
- O acompanhamento médico periódico para diagnóstico precoce de comorbidades.
Complementarmente, o acesso igualitário aos serviços de saúde, a implementação de políticas públicas de promoção da saúde cardiovascular e cerebrovascular, a educação contínua da população sobre fatores de risco, e a garantia de atendimento especializado representam pilares fundamentais para transformar este cenário epidemiológico crítico e proteger a saúde vascular da população brasileira.

